Jean Pierre Brito  Fotografia de Natureza
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Sobre a fotografia de natureza

Todos os dias a todas as horas estamos rodeados de insectos, no entanto raramente nos apercebemos das suas formas e da sua beleza, o seu tamanho é realmente muito pequeno.
O meu interesse por fotografia de natureza começou com a macrofotografia e quando comecei a tirar fotografias cada vez mais perto destes seres, comecei a ver pormenores que não são vistos de outra forma, estes pequenos seres são realmente extraordinários.
Não sou entomologista, apenas tenho um grande gosto por fotografia de natureza, em especial por macrofotografia
Nesta página vou falar das técnicas e equipamento que uso para fazer as fotografias que vêem neste site, aqui vou dar mais atenção à captação das imagens, ( máquinas, objectivas e iluminação).
A macrofotografia ultra-rápida é explicada na página Ultra-rápida

A máquina
Eu tenho preferência por máquinas reflex, embora com outras máquinas também se consigam bons resultados no campo da macrofotografia, mas com o aumentar da exigência rapidamente chegamos à conclusão que uma reflex é o indicado.
As vantagens são obvias, podemos trocar de objectivas, usar foles de extensão, teleconversores, anéis de extensão, etc, etc, sempre com a vantagem de podermos utilizar a medição TTL (atenção existem máquinas que não fazem medição TTL sem objectivas autofocus montadas directamente na máquina)
Devo ainda dizer que não é importante ter uma máquina ultimo modelo pois na macrofotografia habitualmente usa-se a focagem manual e os restantes ajustes, velocidade e abertura de diafragma, podem ser previamente ajustados.
Até Junho de 2006 usei máquinas de filme, Nikon F100 e F70, agora uso uma Nikon D200, com a qual tiro a maior parte das fotografias.

Objectivas
Esta é a área mais abrangente da fotografia em geral, pois são as lentes que projectam a imagem na película ou CCD, na macrofotografia habitualmente usam-se lentes para macro, estas lentes têm um aumento até 1:1 ou seja, a imagem projectada no fotograma corresponde ao tamanho real.
Quando fotografo no campo, habitualmente uso uma Nikon micro 105 mm 2.8 VR (157 mm em digital) que faz um aumento até 1.1, esta é uma boa opção e com grande qualidade, para além de poder-mos fotografar com a objectiva montada directamente no corpo da máquina e ter a vantagem de podermos usar todos os automatismos da máquina, que, como já mencionei nem sempre são úteis em macrofotografia.
Uma objectiva de menor distancia focal, como a Nikon micro 60 mm 2.8, tem a desvantagem de ter que aproximar muito para fazer um aumento de 1:1, quando se trata de insectos o mais provável é que antes de nos aproximar-mos o suficiente já eles fugiram, a de 60 mm uso-a habitualmente em estúdio.

Ainda dentro deste tema vou falar da macrofotografia em estúdio, este tipo de fotografia é muito útil quando ultrapassamos aumentos de 1:1, é muito difícil fazer aumentos superiores a 1:1 no campo, isto porque estamos a trabalhar com profundidades de campo de alguns milímetros, se juntar-mos a isso um insecto que não pára quieto e o vento que teima em soprar, facilmente fotografamos um rolo inteiro ou "enchemos" um cartão de memória onde não se aproveita nem uma fotografia, é nessa altura que temos de inventar meios que nos permitam fazer grandes aumentos sem estar sujeitos ao vento e a más condições de iluminação, é preciso ter em mente que aumentos superiores a 1:1 exigem muita luz, pois existe uma grande distancia entre as lentes e a película ou CCD.
Devido a estes factores eu construí um estúdio especialmente para macrofotografia podem vê-lo na página material.

Vamos agora entrar no campo dos aumentos superiores a 1:1, trata-se de uma área em que difícil é conseguir bons resultados, porque na prática é fácil de fazer, isto porque ao contrário do que possa parecer consegue-se com objectivas de curta distancia focal como uma 28 mm ou uma 24 mm, sim estas mesmo, basta inverter a objectiva com um anel adaptador, a partir daí quanto mais conseguirmos afastar a objectiva da película ou CCD maior é o aumento, podemos faze-lo de duas formas ou com anéis de extensão ou com um fole de extensão, este ultimo é o melhor pois podemos variar a distancia entre objectiva e plano de focagem muito facilmente sem ter de desmontar e voltar a montar acessórios.

Iluminação
Este é um dos pontos críticos em macrofotografia, especialmente quando entramos em aumentos superiores a 1:1.
Eu, por opção, quando tenho que fazer aumentos superiores a 1:1 utilizo sempre o estúdio onde uso iluminação artificial, da qual irei falar mais à frente, no campo tento sempre que possível usar a luz natural, como dizem alguns colegas meus "não há nada como a luz natural" sem duvida é verdade, o problema é em situações difíceis saber aproveitar a luz disponível, e para o fazer a melhor opção é usar reflectores, estes alem de aumentarem a quantidade de luz que ilumina o motivo também iluminam sombras e fazem subresair pormenores que de outra forma ficavam escondidos na sombra, são muito fáceis de usar mas quando andamos no mato atrás de um insecto de máquina numa mão e reflector na outra, não é muito prático, mas o resultado vale o esforço.
Na iluminação de estúdio temos tudo mais facilitado, quando se usam aumentos superiores a 3X, é importante ter unidades de flash potentes isto porque temos a objectiva muito afastada do plano de foco e temos de usar diafragmas bastante fechados para termos alguma profundidade de campo, nestas condições não se deve usar o diafragma totalmente fechado porque causa disfracção.
A disposição dos flashes devem ser de forma a dar uma imagem em que o motivo apareça com o mínimo de sombras possível, isto para podermos realçar todos os pormenores do insecto. o ideal será ter três unidades de flashes duas para o motivo e uma para iluminar o fundo.

Estúdio
A maioria das fotografias que tiro são feitas num estúdio que eu próprio construí a partir de uma base de madeira prensada, com todo um sistema de suportes moveis feitos a partir de tubos de inox para a fixação de rótulas Manfrotto que recebem a iluminação. Este estúdio tem também um suporte de fundos que permite trocar rapidamente as várias cartolinas coloridas que fazem de fundo.
Na base do estúdio são colocados uns arames que na extremidade têm umas pinças onde são fixadas flores que servem de fundo, ou de poiso para os insectos.
Na parte superior existe um suporte onde está uma luz de modelação de 15w (equivalente a 100W) para auxiliar a operação de focagem. Lâmpadas mais potentes aqueciam demasiado e incomodariam o insecto, que mesmo sem ser incomodado muitas vezes não pára quieto.
A máquina fotográfica é fixa num mono pé com uma base de ferro, que pesa 3 kg, peso suficiente para que a máquina não trema quando se trabalha com o fole de extensão.


Espero de alguma forma ajudar com a minha experiência quem goste de macrofotografia, portanto esta  página será regularmente actualizada.

A maioria das fotografias macro que tiro são na Lousã e em Vila Nova de Poiares a 23 Km de Coimbra, sitio onde vou com alguma frequência, e que apesar dos incêndios que todos os anos vão queimando a zona centro, ainda é uma zona muito bonita e muito boa para a fotografia de natureza.
 

Todas as fotografias deste website são da minha autoria é proibido o seu uso sem a minha autorização.

 

 

                                                      


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